Universidade de São Paulo Projeta Instituto de Medicina Inteligente na China com Apoio do Banco BRICS

A Universidade de São Paulo (USP), a maior do Brasil e nos países de língua portuguesa, está a projetar a criação de um instituto de medicina inteligente em parceria com a China, que deverá ter apoio financeiro do branco dos BRICS.

Uma missão da USP, liderada pelo reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior, esteve na China, em março, com objetivo de fortalecer a relação do Centro USP-China com universidades e instituições chinesas, principalmente para o fomento científico nas áreas da agricultura, engenharia e ciências da terra, e avançar em parcerias estratégicas para a criação do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI).

O projecto do ITMI prevê a construção de um hospital inteligente de última geração no complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), em São Paulo, integrando tecnologias inovadoras como a inteligência artificial, big data e sistemas 5G.

O reitor da USP afirmou que “a missão teve como objetivo estreitar relações com universidades, empresas e o Banco do Brics”, parceiros que reconheceram “como muito positiva a criação do Centro USP-China”.

As parcerias com as universidades estão se estabelecendo com a possibilidade da vinda de servidores, pesquisadores e professores da China para o Brasil, em todas as áreas do conhecimento. As empresas chinesas se mostraram dispostas a fazer parcerias na área de educação e de transformação da Universidade, com maior conectividade e algoritmos que a tornem inteligente, que transformem os nossos campi em cidades inteligentes”, disse Carlotti Junior.

“A iniciativa da Faculdade de Medicina e do Hospital das Clínicas para a criação de um novo instituto de medicina digital foi muito bem recebida e a Reitoria espera que esta proposta seja implementada nos próximos meses”, adiantou, segundo a USP.

Durante a visita, foi assinado (na foto) um acordo com a empresa tecnológica Huawei, na cidade de Shenzhen, que prevê, entre outras ações, consolidar a qualificação dos alunos da USP através do programa Huawei ICT Academy, no qual alunos, professores e funcionários podem aceder gratuitamente à plataforma educativa da empresa.

Prevê-se ainda que as duas instituições empreguem esforços para estudar, compreender e adotar novos modelos de universidade inteligente e conectada, em que a tecnologia terá um papel central na disseminação das melhores práticas educativas, derivadas principalmente da boa conectividade e interatividade educativa.

Foi ainda assinado um memorando de entendimento com a Universidade Beihang, localizada em Pequim, destinado ao desenvolvimento de atividades de investigação conjuntas e ao intercâmbio de docentes, investigadores e estudantes de licenciatura e de pós-graduação.

O coordenador do USP-China, Ricardo Trindade, afirmou que esta visita à China, a primeira efetuada após a consolidação do Centro USP-China, com a presença do reitor da USP, “permitiu avançar de modo significativo nas agendas do centro, que envolvem a implementação de projetos em parceria com instituições chinesas e a troca de alunos e investigadores entre o Brasil e a China”.

“Como resultado das interações efetuadas nesta viagem, divulgaremos, em breve, editais de mobilidade e, também, projetos a serem organizados a partir do centro”, adiantou.

A visita deste grupo à China incluiu ainda reuniões com a Universidade Politécnica de Hong Kong, a Academia Chinesa de Ciências Agrárias, a Universidade de Shenzhen, a Universidade de Macau, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, a Universidade de Xangai e a Universidade de Fudan.

No Consulado-Geral do Brasil em Xangai, a missão foi recebida pelo cônsul Augusto Pestana para discutir futuras parcerias com universidades da região nas áreas da agricultura e da inovação.

A missão também visitou empresas de tecnologia e saúde, como a Huawei, a United Medical Imaging, a Microport e a Mindray, em Shenzhen e Xangai, para fortalecer as alianças estratégicas para o desenvolvimento de soluções inovadoras na área médica.

A nível académico, a delegação foi recebida na Universidade Fudan, em Xangai, e na Universidade de Tsinghua, em Pequim, referências mundiais na investigação e inovação tecnológica na saúde.

Durante os encontros foram discutidos acordos de cooperação académica e de transferência de conhecimento com o objetivo de transformar a USP num hub de medicina inteligente na América Latina.

No New Development Bank (NDB), os membros foram recebidos pela presidente do organismo e ex-Presidente da República, Dilma Rousseff. Na reunião foram debatidos os detalhes do financiamento para o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI).

Segundo a diretora da Faculdade de Medicina (FM), Eloísa Bonfá, o hospital deverá ser um “modelo de inovação e sustentabilidade, combinando inteligência artificial, internet das coisas e automação em saúde, com infraestruturas de ponta para otimizar o atendimento público e elevar o Brasil ao patamar das nações mais avançadas em tecnologia médica”.

“A missão não só fortaleceu a parceria estratégica entre a USP e as instituições chinesas, como consolidou o compromisso da Universidade para liderar a inovação na medicina, reafirmando a sua posição Latina em investigação e tecnologia para a saúde”, adiantou.

 

 

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